16 set Trabalhar na Itália só com passaporte de covid
Trabalhar na Itália só com passaporte de covid
Governo deve propor hoje que passaporte de covid seja obrigatório para servidores e também trabalhadores do setor privado. Objetivo é ampliar a vacinação.
A Itália deve tornar seu “passe verde” da covid-19 obrigatório para todos os trabalhadores a partir do mês que vem, segundo informou ontem um ministro. Será o primeiro país europeu a fazê-lo, como parte do esforço de acelerar a vacinação e conter a doença.
O passe é um certificado digital ou em papel que atesta que o portador recebeu ao menos uma dose de vacina, teve resultado negativo em teste ou se recuperou da doença recentemente. Foi concebido inicialmente para facilitar viagens entre países da União Europeia.
Mas a Itália está no grupo de países que também passou a exigir que as pessoas tivessem o passe para entrar em locais como museus, academias e restaurantes. Depois, a obrigatoriedade do passe foi estendida para professores e funcionários de escolas, embora a medida tenha provocado atritos na coalizão do premiê Mario Draghi.
A ministra de Assuntos Regionais, Mariastella Gelmini, disse que o governo está pronto para ir ainda mais longe. “Caminhamos para um passe verde obrigatório não só para os trabalhadores do setor público, mas também para os do setor privado”, disse à rádio RAI. “A vacina é a única arma que temos contra a covid e só podemos conter a doença se vacinarmos a grande maioria da população.”
Os trabalhadores que não apresentem um passe verde podem ser suspensos ou ficar sem receber salário. Não ficou claro se isso poderia ser usado para demissões.
A Itália tem o segundo maior número de mortes por covid-19 da Europa, atrás só do Reino Unido: mais de 130 mil pessoas morreram da doença desde que a pandemia começou, no início de 2020. Cerca de 73% de seus 60 milhões de habitantes receberam ao menos a primeira dose da vacina contra a covid, e 65% estão totalmente vacinados, números que de modo geral estão alinhados com os da maioria dos países da UE. Mas alguns, como Portugal, já vacinaram totalmente 80% da população.
A reunião de hoje do Gabinete deve ser tensa. O líder de direita, Matteo Salvini, do partido Liga, que faz parte da coalizão de governo, tem resistido de forma à ampliação do uso do passe verde, mas seu partido está dividido.
Draghi reuniu-se com líderes sindicais ontem para explicar os planos mais detalhadamente. Após o encontro, Maurizio Landini, secretário-geral da maior central sindical do país, a CGIL, disse que era importante que os testes fossem gratuitos para os trabalhadores que não quiserem se vacinar. “As pessoas não deveriam ter de pagar para trabalhar”, afirmou.
Os que se opõem ao passe verde dizem que ele atropela as liberdades civis e é uma forma dissimulada de obrigar as pessoas a se vacinarem. Só a sugestão de torná-lo obrigatório para os servidores públicos já gerou protestos moderados, que podem ser mais fortes se ele fosse estendido às empresas privadas. Não está claro se todas as empresas privadas serão incluídas ou se apenas alguns setores.
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