31 ago Trabalho escravo ganha tópico nas tabelas de assuntos processuais do CNJ
Trabalho escravo ganha tópico nas tabelas de assuntos processuais do CNJ
Desde março, os processos relativos ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo ganharam um tópico específico na tabela de assuntos processuais do Conselho Nacional de Justiça. A ideia é permitir um levantamento mais fidedigno de todas as ações e criar políticas públicas para acelerar os julgamentos.
As tabelas processuais unificadas foram instituídas em 2007 pela Resolução CNJ 46. Antes disso, os tribunais e varas davam nomes diferentes a ações similares. A falta de padronização inviabilizava o cálculo de estatísticas da movimentação processual no Judiciário.
A alteração da tabela de classificação foi apresentada no último ano pelo Fórum Nacional do Poder Judiciário para Monitoramento e Efetividade das Demandas Relacionadas à Exploração do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo e ao Trá?co de Pessoas (Fontet), provocado pela Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho. A sugestão foi aprovada pelo Comitê Gestor de Tabelas Processuais Unificadas do CNJ.
“O Direito do Trabalho tem por princípio básico o trabalho como manifestação da personalidade humana, estando diretamente ligado à liberdade e à dignidade do seu prestador. O Direito Penal, por sua vez, constitui a proteção de bens jurídico fundamentais, como a vida e a liberdade. Portanto, o rompimento da concepção do ser humano livre, a partir dos grilhões trazidos pelo trabalho escravo e pelo tráfico de pessoas, acarreta a necessária incidência de ambos ramos do direito”, aponta a conselheira Tânia Regina Silva Reckziegel, coordenadora do Comitê Nacional Judicial de Enfrentamento à Exploração do Trabalho em Condição Análoga à de Escravo e ao Trá?co de Pessoas do CNJ.
Em 2020, 943 trabalhadores foram descobertos em situações análogas à escravidão. Os auditores fiscais do Trabalho fizeram 266 inspeções no país, de acordo com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.
Dos trabalhadores resgatados, 78% estavam no meio rural. A maioria deles no cultivo de café e na produção de carvão vegetal. Dentre os trabalhadores urbanos, a maior parte trabalhava no comércio varejista e na montagem industrial. 41% dos resgatados eram imigrantes, especialmente paraguaios. Com informações da assessoria de imprensa do CNJ.
Sorry, the comment form is closed at this time.