Trabalho excessivo reduz em 31% a capacidade de foco

Trabalho excessivo reduz em 31% a capacidade de foco

Publicado em 7 de maio de 2021

Dados sobre o impacto da saúde mental na produtividade são limitados.

A associação entre saúde mental e produtividade é ponto comum das discussões sobre o tema, mas as empresas não dispõem de informações para medir o impacto no desempenho.

Os dados de saúde mental nos ambientes de trabalho são bastante escassos, afirma o psiquiatra e consultor na área de gestão de pessoas, Roberto Aylmer. “Quanto mais opressiva for a empresa mais vulnerável a condição do colaborador, menos ele fala do tema até pelo estigma da saúde mental.”

Para ele, cabe às companhias dar suporte à equipe com iniciativas que assegurem confiança na empresa, certeza de que há mérito e justiça e um ambiente de colaboração, itens questionados em um cenário de distanciamento social. “O que vivemos não é um home office, mas um trabalho confinado, porque o colaborador tem de gerenciar muita coisa ao mesmo tempo. Os maiores efeitos ainda estão por vir”, avalia.

A visão de que a saúde mental veio “para a mesa do CEO em definitivo com a pandemia”, é defendida por Bruno Porto, sócio da PwC Brasil e líder de health. Ele cita um dado global da empresa Total Brain de que ansiedade e trabalho excessivos reduzem em 31% a capacidade de foco do colaborador. “É preciso mudar a cultura interna, humanizar a administração, demonstrar o cuidado com funcionários e adotar uma comunicação intensa e constante.”

No Santander, que já tinha programas voltados ao bem-estar, comunicação e transparência foram fundamentais na estratégia de manter a saúde mental da equipe, diz Vanessa Lobato, VP de RH da instituição. No começo da crise sanitária, o banco criou um programa de saúde mental para a alta liderança, e outro para os colaboradores com o Cíngulo, um app em formato de terapia guiada. De acordo com ela, não houve perda de produtividade, mas alguns momentos piores dentro da “curva de aprendizagem”.

Iniciativas como o lançamento do app Elux Health também fizeram parte das estratégias da Electrolux. “As informações são monitoradas por nossa equipe de saúde, que entra em contato para oferecer atenção personalizada”, explica Valéria Balasteguim, VP de recursos humanos Electrolux América Latina. A empresa também adotou o programa de assistência ao colaborador (EAP), que inclui assessoria financeira, psicológica e jurídica. Pesquisa recente aponta que 87% dos colaboradores demonstram que a saúde é uma prioridade na empresa.

Na Suzano, pesquisas para medir a ansiedade da equipe e entender como atuar deram suporte às iniciativas. “Felizmente não tivemos afastamentos devido à saúde mental. Temos desenvolvido ações para garantir o bem-estar físico e mental de todos”, relata Marcelo de Mello Martins, gerente-executivo de saúde e segurança ocupacional da Suzano.

Com 100% da mão de obra em home office, a OLX viu as dificuldades da equipe ficarem perceptíveis e precisou se adaptar. “Começamos a ver o ambiente da insegurança e medo, pessoas sem saber como trabalhar em casa. Uma das primeiras atitudes foi assegurar que ninguém seria demitido”, diz o diretor de RH da OLX, Sérgio Povoa. A palavra-chave foi flexibilidade. “Isto de controle excessivo sobre a rotina do funcionário era muito cultural e caiu por terra. Dá para usufruir melhor da vida, da família e entregar bom resultado.”

Fonte: Valor Econômico
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