Trabalho presencial é o preferido, diz pesquisa

Trabalho presencial é o preferido, diz pesquisa

Publicado em 7 de novembro de 2023

Levantamento feito para a QuintoAndar mostra que flexibilidade importa, mas 43% mudariam de emprego se tivessem que trabalhar só presencialmente.

 A relação dos brasileiros com o modelo de trabalho depois da pandemia, quando muitos tiveram a chance de exercer sua atividade de casa pela primeira vez, está dividida. O que parece importar mais é ter flexibilidade.

Levantamento feito pela empresa de pesquisa de mercado Offerwise, para a plataforma imobiliária QuintoAndar, mostra que 46% das pessoas preferem o modelo de trabalho presencial. É bem mais do que os 27% que preferem o regime híbrido e 27% que preferem trabalhar remotamente, ainda que a média de tempo para chegar ao escritório seja de 42 minutos – em São Paulo, é de 51 minutos. Foram ouvidas 1.914 pessoas, em setembro.

Apesar disso, 43% dos entrevistados dizem que procurariam outro emprego se fossem obrigados a trabalhar só presencialmente.

Ao contrário do que se pode pensar, não são os jovens que lideram o desejo de trabalhar de casa. Na faixa de menor idade da pesquisa, de 18 a 24 anos, a parcela dos que procurariam outro emprego é de 39%, valor que chega a 50% entre 35 e 44 anos.

“Indivíduos mais velhos muitas vezes têm responsabilidades familiares e compromissos que tornam o trabalho remoto mais atraente, além de possuírem maior experiência no mercado. Por outro lado, os mais jovens podem estar mais dispostos a experimentar o ambiente presencial, uma vez que têm menos responsabilidades familiares e estão em busca dos primeiros passos profissionais”, diz Thiago Reis, gerente de dados da QuintoAndar.

De qualquer forma, o trabalho remoto em pelo menos parte da semana continua realidade. Hoje, 60% das pessoas que vivem em capitais trabalham ao menos um dia por semana em casa. Antes da pandemia, apenas 12% da amostra trabalhava de forma híbrida. O trabalho remoto era mais raro, 10%.

O levantamento tem recorte de classe social e escolaridade, o que influencia nos resultados. Entre os entrevistados, só 10% são das classes D e E. A maior parcela é da classe C, com 51% de prevalência, seguido por 28% na classe B e 10% na A. Têm superior completo 45% dos entrevistados, com mais 15% com superior incompleto.

Os dias com menor presença no escritório são segundas e sextas-feiras, quando 36% dos entrevistados afirmam trabalhar de casa. Para quem trabalha de forma remota pelo menos um dia por semana, 83% consideram o local “muito adequado” ou “adequado” – só 17% o consideram “inadequado”.

Esse local pode ser um cômodo exclusivo para o trabalhador, caso de 40% da amostra, ou compartilhado, para 27%. Há ainda 30% de pessoas que não têm lugar específico para trabalhar remotamente e 8% que o fazem fora da residência.

Perguntados sobre a importância que alguns itens teriam ao escolher um imóvel, 70% disseram que morar em local silencioso, já visando trabalhar de casa, é o fator mais relevante. Também pesam a favor o lugar ser espaçoso e ter um cômodo exclusivo para o trabalho, para 69% dos entrevistados.

Fonte: Valor Econômico
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