Trabalho sem carteira ajuda e desemprego tem novo recuo

Trabalho sem carteira ajuda e desemprego tem novo recuo

Publicado em 1 de setembro de 2023

Taxa para o país no trimestre móvel até julho fica em 7,9% e tem melhor resultado para o período desde 2014, mostra pesquisa do IBGE.

A taxa de desemprego no país foi de 7,9% no trimestre móvel encerrado em julho. O resultado ficou abaixo do verificado no trimestre móvel anterior, encerrado em abril (8,5%), e também em igual período de 2022 (9,1%), mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

É a menor taxa para um trimestre encerrado em julho desde 2014, quando foi de 7%. O resultado ficou em linha com a mediana das expectativas de 23 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor , que apontava para uma taxa de 7,9%. O intervalo das projeções ia de 7,8% a 8,4%. No trimestre encerrado em junho, a taxa oficial ficou em 8%.

Uma reversão da trajetória de queda da taxa de desocupação deverá ocorrer apenas em 2024, avaliam economistas. Até julho, o país tinha 8,5 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, mas não conseguiram encontrar. O número aponta retração de 6,3% em comparação ao trimestre móvel anterior, encerrado em abril (menos 573 mil pessoas) e queda de 13,8% frente a igual período de 2022 (menos 1,3 milhão de pessoas).

“A queda da taxa de desocupação está ligada a um crescimento importante da população ocupação no trimestre, ainda que mais intensa em alguns setores. A queda não ocorreu por menor busca por trabalho, mas por aumento na ocupação”, disse a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílio do IBGE, Adriana Beringuy.

Entre maio e julho, a população ocupada era de 99,3 milhões de pessoas. Isso representou um avanço de 1,3% em relação ao período do trimestre anterior (mais 1,3 milhão de pessoas ocupadas). Frente a igual trimestre de 2022, subiu 0,7% (669 mil pessoas). As vagas informais responderam por 60,8% dos novos postos.

A administração pública, o setor de informação e comunicação e o de serviços domésticos foram decisivos para o crescimento da ocupação. Os três setores responderam por 1,067 milhão das 1,3 milhão de pessoas ocupadas a mais no trimestre encerrado em julho, em relação ao trimestre anterior.

O setor de serviços ainda é um forte gerador de postos de trabalho. Construção civil, por exemplo, é um dos segmentos aquecidos devido a investimentos anunciados pelo governo federal em infraestrutura, cita Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores.

Além da retomada de investimentos públicos anunciados em infraestrutura, que se somam aos do setor privado no mesmo segmento, outros movimentos como a contínua retomada de atividades presenciais têm contribuído para o atual cenário.

“O retorno lento mas contínuo às atividades presenciais tem contribuído para gerar mais vagas em serviços, como manutenção e limpeza de escritórios”, diz o economista da LCA. Comércio e indústria, contudo, são mais afetados pela política de juros e acabam gerando menos vagas na comparação entre os segmentos.

Embora esteja se “dissipando”, ainda contam os reflexos diretos e indiretos do forte avanço do agronegócio no primeiro trimestre (que gerou contratações em serviços de armazenagem, logística e varejo, por exemplo). Julho, ademais, é mês de férias escolares e aumentam contratações em áreas como turismo, aponta Rodolfo Margato, economista da XP.

Já a força de trabalho – que soma pessoas ocupadas ou em busca de emprego – estava em 107,9 milhões no trimestre móvel encerrado em julho, 0,7% a mais que no trimestre encerrado em abril (mais 730 mil pessoas) e 0,6% abaixo de igual período do ano passado (menos 691 mil pessoas).

A própria melhora do mercado de trabalho é um fator que pode ter influenciado o desincentivo da busca por ocupação. É um fator que permite que demais membros de uma família dediquem-se apenas a estudos ou a deveres domésticos. Há, ainda, um possível efeito do reajuste do salário mínimo, que puxa benefícios sociais e aposentadorias – e a melhora o rendimento familiar, avalia Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria.

A renda média dos trabalhadores avançou 0,6% no trimestre móvel encerrado em julho, ante trimestre móvel anterior (encerrado em abril) para R$ 2.935.

Apesar da esperada desaceleração da atividade econômica nos próximos meses, o viés ainda é positivo para o mercado de trabalho, avaliam os economistas. “É um mercado de trabalho resiliente, que dá impulso ainda para o consumo e, ao mesmo tempo, não traz pressões salariais que atrapalhem a decisão de curto prazo na condução da política monetária”, acrescenta Margato.

Fonte: Valor Econômico
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