17 jun Um em cada dois gestores trocaria de emprego
Um em cada dois gestores trocaria de emprego
Pesquisa da Boyden com 357 executivos brasileiros mostra que executivos estão mais abertos a mudar de trabalho este ano em comparação com o ano passado.
Depois de mais de um ano enfrentando desafios pessoais e de gestão impostos pela pandemia, como o aumento da carga de trabalho, a mudança na rotina e muitas vezes a frustração dos resultados no negócio, muitos gestores estão repensando a carreira. Pesquisa da consultoria global de seleção de executivos Boyden com 357 executivos brasileiros mostra que um em cada dois ocupantes de cargos de liderança viu o desejo de mudar de emprego crescer este ano, em comparação com 2020.
“Eles querem poder vivenciar uma experiência profissional diferente”, diz Leonardo de Souza, sócio da Boyden. Essa vontade, segundo ele, está por trás de uma frustração com todo o empenho versus recompensa que obtiveram em um ano tão exigente como o de 2020. “As pessoas estão feridas e como já passaram por uma mudança radical na rotina, agora não têm medo de mudar tudo e ter uma nova experiência de trabalho.” O levantamento foi realizado em maio e junho, sendo 29,5% dos respondentes em posições de vice-presidência ou C-level e 37,5% em cargos de diretoria.
Na pesquisa, 55% dos executivos disseram que o desejo de mudar aumentou este ano, 34% que permanece o mesmo e apenas 11% disseram que diminuiu. Em comparação ao ano passado, 41% dos executivos se sentem com uma maior predisposição para avaliar uma nova oportunidade profissional em 2021.
Para Souza, esses dados indicam que os executivos estão mais dispostos este ano a transformar o desejo de mudar em ações práticas. “Desde o último trimestre de 2020, tem se tornado comum escutarmos relatos sobre como este período de pandemia tem sido duro. É provável que a saturação desta situação, vista como desconfortável, aliada a avaliação de um cenário um pouco mais estável em um futuro próximo, esteja incentivando os profissionais a se colocarem mais dispostos a uma troca de emprego.”
O levantamento mostra, no entanto, que 41% dos gestores consultados consideram que seu engajamento com a empresa atual aumentou desde o início da pandemia. “Isso mostra que eles mantêm o comprometimento com suas responsabilidades e equipes nas empresas onde trabalham atualmente.” Porém, as dificuldades trazidas pela pandemia, tanto no aspecto profissional quanto pessoal, segundo Souza, têm provocado reflexões sobre perspectivas futuras e levado a uma reavaliação da escala de importância dos diversos aspectos da vida.
Souza pondera que esse desejo de trocar de emprego só vai se concretizar se aumentar o número de oportunidades este ano, mas de qualquer modo essa insatisfação deve estar no radar das empresas. “O desafio será manter e reter gestores com esse tipo de ressentimento”, afirma.
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