30 jul Vacina e programas de emprego impulsionam abertura de vagas
Vacina e programas de emprego impulsionam abertura de vagas
Caged mostra saldo positivo de contratações no 1º semestre.

A retomada das atividades, com a melhora da pandemia e o avanço da vacinação, e os programas federais de sustentação ao emprego impulsionaram o mercado de trabalho formal do Brasil no primeiro semestre deste ano e devem continuar ajudando nos próximos meses, dizem especialistas. Turbulências na gestão política e sanitária, porém, ainda trazem incertezas.
O país abriu 309,1 mil vagas com carteira em junho, ante 276 mil em maio, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo governo. O desempenho ficou acima da mediana coletada pelo Valor Data , de 260 mil. Com o resultado, a primeira metade de 2021 teve saldo de 1,5 milhão de contratações, contra 1,2 milhão de postos fechados no mesmo período de 2020.
O desempenho de junho é fruto de cerca de 1,6 milhão de admissões e 1,3 milhão de desligamentos. Descontados efeitos sazonais, a XP calcula que as contratações subiram 1,7% e as demissões recuaram 2,2%, permanecendo em níveis próximos ao pré-pandemia.
O avanço das admissões reflete o ganho de confiança dos empresários em meio à vacinação, enquanto o programa para suspensão ou redução de jornada, o BEm, ajuda a sustentar as estatísticas de emprego, aponta o Banco Original em relatório. Segundo o Ministério da Economia, cerca de 3,6 milhões de trabalhadores estavam sob estabilidade provisória em junho.
Tanto no mês quanto no acumulado do ano, todos os setores registram saldo positivo, mas o destaques é nos serviços, com 125,7 mil novas vagas em junho e 631,6 mil postos criados no semestre.
Ao comentar o Novo Caged, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que, pela primeira vez desde o biênio 2015/2016, o Brasil retornou ao patamar de estoque de 40 milhões de empregos formais. “Reagimos, com economia retornando em ‘V’, e produzimos ritmo acelerado de empregos”, afirmou. Em 2020, no entanto, o Caged passou por mudanças metodológicas e especialistas dizem que não é adequado comparar os dados atuais com a série anterior.
Com a reabertura da economia, a demanda doméstica firme, o aumento da confiança do empresariado e a reedição do BEm, o mercado de trabalho formal deve continuar exibindo resultados sólidos nos próximos meses, diz Rodolfo Margato, economista da XP.
Mas, enquanto o Novo Caged teve saldo mensal médio de 220 mil empregos no primeiro semestre, para o segundo a XP projeta uma média ao redor de 150 mil. “Os efeitos paulatinos do menor número de acordos empregatícios regidos pelo BEm e, principalmente, a desaceleração no ritmo de contratações nos setores de serviços e comércio no quarto trimestre são as principais razões”, diz Margato.
A XP estima criação líquida de 2,18 milhões de empregos formais em 2021. Após a divulgação de ontem, a LCA Consultores elevou sua estimativa de 2 milhões para 2,7 milhões de vagas.
Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria, pondera que, apesar do prognóstico melhor para a atividade, o que gera um ambiente favorável à abertura de postos, a presença de riscos no cenário básico motiva cautela. Uma das principais incertezas, diz, é a gestão da pandemia, devido às variantes. Assis avalia ainda que o mercado pode ser favorecido pela agenda de políticas voltadas à inclusão de trabalhadores sem registro no mercado formal. “Ainda assim, incertezas e turbulências políticas limitam visões demasiadamente otimistas para a agenda de ‘rampa à formalidade’ no curto prazo.”
Ontem, o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Previdência, Bruno Bianco, disse que a meta é ter, ao fim do primeiro mandato de Jair Bolsonaro, quase todos os brasileiros formalizados. Segundo Bianco, o governo busca um acordo com o Sistema S para bancar o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP). O secretário evitou dar detalhes sobre o serviço social voluntário, a ser criado pelo chefe de sua pasta, Onyx Lorenzoni, mas disse que a ideia é ser algo “muito próximo” da filosofia do BIP.
O Caged, que era responsabilidade do Ministério da Economia, agora está na pasta de Onyx. Ele não participou da divulgação de ontem porque estava em Porto Alegre, mas Guedes informou que Onyx estará presente na próxima. Guedes afirmou que o novo ministério “seguramente” seguirá na mesma direção que vinha.
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