Vaga formal desacelera mais que esperado

Vaga formal desacelera mais que esperado

Publicado em 31 de janeiro de 2024

Economistas preveem que a saldo do emprego com carteira será ainda menor em 2024.

Embora tenha mostrado certa resiliência, 2023 fechou com menor criação líquida de vagas formais de trabalho do que a de 2022, com resultado abaixo de expectativas do governo. A desaceleração veio sob efeitos de juros ainda altos e “normalização” da demanda após o pior período da pandemia de covid-19, apontam economistas. Para 2024, a expectativa deles é que a criação líquida de vagas formais seja menor que a do ano passado, como reflexo de esperada desaceleração econômica.

Houve abertura líquida de 1,484 milhão de vagas com carteira assinada em 2023, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O resultado ficou abaixo da mediana de 13 estimativas de instituições financeiras e consultorias coletadas pelo Valor Data, de abertura líquida de 1,538 milhão de vagas. O saldo ficou abaixo do de 2022, quando foram abertas 2,013 milhões de vagas.

 O aumento do emprego formal continuará a apoiar o consumo das famílias em 2024, aponta a XP, que projeta criação líquida de 1,1 milhão de vagas formais em 2024. “A nosso ver, o emprego formal continua sólido. Embora não haja método oficial de dessazonalização [no Caged] – o que leva a diferentes estimativas na base mensal -, os sinais recentes corroboram nossa visão de desaceleração”, avalia o economista da XP Rodolfo Margato.

A desaceleração no mercado de trabalho já era prevista, segundo Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores. A projeção do PIB da consultoria para 2024 é de 1,5% e na geração de empregos a estimativa é de criação líquida de 1 milhão de vagas. “É um número alinhado com o que temos de crescimento econômico esperado.”

O dado do Caged confirma que houve resiliência do emprego formal em 2023, aponta o economista Lucas Assis, da Tendências. A desaceleração de dezembro, diz, está dentro do padrão sazonal de fechamento de vagas.

” Apesar de o melhor momento ter ficado para trás, ainda estamos longe de um mercado de trabalho fraco”

Em dezembro, o país registrou o fechamento líquido de 430,16 mil vagas formais. Houve 1,503 milhão de admissões contra 1,933 milhão de desligamentos. O resultado do mês também foi pior que o da estimativa mediana do Valor Data, que indicava perda líquida de 371 mil vagas.

 Para André Galhardo, economista-chefe na Análise Econômica, o resultado de dezembro reforça as incertezas para os próximos trimestres. O resultado do mês veio pior que o estimado pela consultoria, mas a queda em dezembro “não é inesperada”. “Isso só endossa o processo de normalização do crescimento pós-pandemia”, diz Galhardo. O número, avalia, reflete a desaceleração econômica geral e a alta taxa de juros, apesar dos esforços para diminuir a Selic.

Segundo João Sauvignon, da Kínitro, o desempenho surpreende mesmo desconsiderando a média de desligamentos para dezembro. “Mesmo limpando a sazonalidade gerada no período, os números mostram que o saldo está pior do que esperávamos. Em comparação a novembro, identificamos um crescimento de 1,9% de desligamentos, mesmo tirando a sazonalidade”, destaca. Apesar disso, ele acredita que a composição de setores balanceia as projeções, que mostram desaceleração no crescimento. Para Sauvignon, é possível afirmar que o país passa por um processo de retorno à normalidade do mercado de trabalho. “Apesar de o melhor momento ter ficado para trás, ainda estamos longe de um mercado de trabalho fraco.”

O dado do Caged para dezembro de 2023 deve influenciar as decisões de política monetária do Brasil nos próximos meses, segundo o economista da CM Capital, Matheus Pizzani. Para ele, essa influência acontecerá, principalmente, pelo mercado de trabalho apresentar comportamento condizente ao momento do ciclo econômico e de juros do país.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que a informalidade no mercado de trabalho pode ter trazido os números de geração de emprego de 2023 para baixo. O ministro considerou o resultado de 2023 “razoável” para o primeiro ano de governo. Para 2024, Marinho disse que a “tendência” é um resultado melhor, mas evitou fazer projeções. No ano passado, Marinho chegou a estimar geração de emprego de 2 milhões em 2023.

Fonte: Valor Econômico
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