Vagas afirmativas para pessoas trans aumentam, mas ainda são poucas

Vagas afirmativas para pessoas trans aumentam, mas ainda são poucas

Publicado em 18 de julho de 2022

Levantamento da Gupy indica que nos últimos 12 meses foram criadas cerca de 30 vagas afirmativas especificamente para pessoas trans e travestis, quatro vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.

As vagas afirmativas para pessoas trans vem crescendo, mas o número ainda é pequeno. É o que mostra um levantamento feito pela Gupy a pedido do Valor. Nos últimos 12 meses foram criadas cerca de 30 vagas afirmativas especificamente para pessoas trans e travestis na plataforma, quatro vezes mais que no mesmo período do ano anterior.

Ao analisar as vagas afirmativas destinadas a pessoas da comunidade LGBTQIAP+ de maneira geral, as vagas destinadas a pessoas trans e travestis representam 16% do total de oportunidades direcionadas para a comunidade. Além de vagas específicas, iniciativas empresariais também são ampliadas de olho na maior empregabilidade deste público.

Na Starbucks Brasil, o suporte jurídico, legal e psicológico gratuito para os funcionários trans e membros de ONGs parceiras que desejem alterar seus nomes e gêneros em suas certidões de nascimento é uma realidade desde janeiro de 2020, com o projeto “Eu Sou”. Em 2022, em sua terceira edição, o projeto contabiliza 70 pessoas com nomes retificados.

Agora, explica Sandra Collier, diretora de marketing, fidelidade e ESG da SouthRock, o “Eu Sou” chega à segunda fase com foco em empregabilidade de pessoas trans, realizando um mutirão de entrevistas de emprego especificamente com membros da comunidade trans que se candidataram a cargos disponíveis tanto na Starbucks quanto em outras marcas operadas pela SouthRock no Brasil – TGI Fridays e Subway.

 A iniciativa de empregabilidade inclui workshops sobre como atuar em um ambiente corporativo e em processos de entrevistas. As primeiras sessões foram realizadas em abril por parceiros da Starbucks no Brasil em conjunto com uma equipe de psicólogos e profissionais de recrutamento do Nube, empresa privada especializada em promover a entrada de jovens adultos no mercado de trabalho. Na primeira rodada de entrevistas, sete pessoas foram contratadas pela SouthRock, sendo que quatro vão atuar na Starbucks. Está prevista uma segunda rodada do programa este ano.

Head de diversidade e inclusão da Gupy, Tamara Braga diz que as populações trans e travestis são as que mais sofrem dificuldade no mercado de trabalho.

“Vivemos em uma sociedade heteronormativa em que o ‘normal’ é se parecer com a maioria”, afirma. “Por isso, pessoas da comunidade LGBTQIAP+ com mais ‘passabilidade’, ou seja, que parecem ser de um grupo ou categoria identitária diferente da sua (homem ou mulher, por exemplo), acabam tendo mais facilidade para encontrar oportunidades de trabalho. Nesse sentido, as empresas precisam ter mais intencionalidade: conhecer a fundo os recortes de diversidade e os desafios que enfrentam na sociedade de maneira geral.”

Para a especialista, isso requer olhares de pessoas de grupos de diversidade para ajudar, ter um olhar especial para pessoas de populações que têm mais barreiras no mercado de trabalho, como é o caso de pessoas trans e travestis, e realizar ações para incluir e atrair essas populações, como é o caso das vagas afirmativas. “Inclusive, na Gupy, identificamos que isso é uma tendência, pois há cada vez mais empresas publicando este tipo de oportunidades de trabalho na plataforma todos os meses.”

Fonte: Valor Econômico
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