Vereadores aprovam projeto que amplia retomada parcial de atividades econômicas em Porto Alegre

Vereadores aprovam projeto que amplia retomada parcial de atividades econômicas em Porto Alegre

Publicado em 28 de abril de 2020

Texto, que segue para a sanção do prefeito, prevê liberação de atendimento em restaurantes, bares, lancherias, desde que sejam respeitadas medidas de segurança.

A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou em sessão virtual, nesta segunda-feira (27), projeto que amplia a retomada parcial de atividades econômicas em Porto Alegre diante do isolamento social em razão da pandemia de coronavírus. Na prática, o texto inclui serviços de restaurantes, bares, lancherias e similares, lotéricas, de profissionais de educação física, escritórios de advocacia e de contabilidade e de comercialização de automóveis entre as atividades consideradas essenciais, que podem funcionar respeitando medidas de prevenção e segurança. A matéria segue para sanção do prefeito Nelson Marchezan.

Por meio de emenda, de autoria do vereador Hamilton Sossmeier (PTB), a realização de missas e cultos presenciais também é prevista no projeto. O texto destaca que essa atividade pode ser realizada desde que atenda a todas as medidas sanitárias de prevenção, como lotação máxima para evitar aglomerações. Outra emenda, do vereador Márcio Bins Ely (PDT), coloca no rol de serviços essenciais as imobiliárias e os serviços de prestação de consultoria desse tipo.

— A gente cuidou bastante para ter essa prudência de não ser uma abertura de tudo e justamente flexibilizar aquelas atividades onde existe o risco controlado, (nas quais) o baixo risco epidemiológico já é verificado e é orientado pelas secretaria de saúde estadual e pelo governo federal, mas que também não precise da rigidez que Porto Alegre estava tendo até em comparação com São Paulo, que é o centro da epidemia no Brasil — afirmou o vereador Felipe Camozzato (Novo), um dos autores do projeto.

Em relação aos restaurantes, bares, lancherias e similares, o vereador afirma que o projeto permite, de acordo com decreto do governo estadual, que esses locais recebam clientes, respeitando algumas medidas preventivas, como disponibilização de álcool em gel e distanciamento maior entre as mesas.

Camozzato explica que na questão das atividades profissionais de educação física, o texto libera o serviço prestado de forma individualizada ao aluno, sempre observando as recomendações do Ministério da Saúde em relação às medidas sanitárias de prevenção e combate à covid-19. Ou seja, academias seguem proibidas de abrir as portas.

Relatórios

O texto aprovado pelos vereadores também destaca que o município não poderá impedir o funcionamento de atividades não essenciais que atendem ao desempenho dos serviços essenciais.

Outra emenda aprovada, do vereador Cláudio Janta (SDD), estabelece que “em toda e qualquer atividade liberada para o funcionamento deverão ser disponibilizados aos trabalhadores equipamentos de proteção individual”, destacando os itens protetor facial, luvas e máscaras.

O secretário extraordinário de Enfrentamento ao Coronavírus, Bruno Miragem, diz que “lamenta profundamente” o entendimento dos vereadores, principalmente na questão da ampliação das atividades essenciais. Segundo ele, essas medidas dificultam a execução do distanciamento controlado, colocando a Capital na contramão do mundo.

— O projeto define como serviços essenciais certas atividades que, embora de reconhecida importância, é muito difícil que a gente possa justificar a essencialidade naqueles termos de absoluta necessidade. Quando você fala em comércio de veículos como atividade essencial, isso é uma peculiaridade da nossa lei. Você não encontra isso em lugar nenhum do mundo — afirma.

O projeto prevê que a prefeitura terá de promover a apresentação de relatório semanal do impacto das políticas públicas ligadas à saúde, economia e convívio social da população. Miragem diz que algumas informações, como número de casos e de leitos, já são divulgadas pela prefeitura, mas destaca a dificuldade de identificar alguns dados:

— Esses impactos sociais e econômicos das medidas adotadas são algo que, de novo, no mundo inteiro, todos os economistas e especialistas (estão) se debruçando e justamente dizendo que ainda não é possível — avalia.

O secretário disse que o governo municipal aguarda o recebimento do projeto para se debruçar mais uma vez sobre o texto e avaliar quais medidas serão tomadas. Ele reconhece que a maior dificuldade ocorre em relação aos serviços essenciais.

Fonte: Zero Hora
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