Via tem provisão trabalhista de R$ 2,5 bi

Via tem provisão trabalhista de R$ 2,5 bi

Publicado em 12 de novembro de 2021

No terceiro trimestre o prejuízo chega a R$ 638 milhões e a receita encolhe 6% para R$ 7,35 bilhões.

O crescimento de 82% em ações trabalhistas, neste ano, somado a um legado de processos mais antigos, que tramitam há até dez anos, pesaram sobre o resultado contábil da varejista Via, dona de Casas Bahia e Ponto Frio. No terceiro trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 638 milhões, ante lucro líquido de R$ 590 milhões um ano antes. A receita caiu 6%, para R$ 7,35 bilhões.

O maior impacto sobre o prejuízo, segundo a Via, foi a provisão para despesas trabalhistas de R$ 1 bilhão, elevando essa conta a R$ 2,5 bilhões, e a alta de 32% no valor médio das indenizações para os casos sentenciados na Justiça.

“O problema trabalhista guarda uma grande relação com o passado da companhia”, disse Roberto Fulcherberger, CEO da Via, ao Valor. Entre 2013 e 2017, a empresa reduziu seu quadro de funcionários de 75 mil para 45 mil em processos de digitalização e mudanças logísticas. “Neste período a empresa terceirizou frota própria de motoristas e entregadores e digitalizou processos de crédito”.

Dos 22 mil processos acumulados, 12 mil são antigos, mas outros 10 mil foram iniciados entre janeiro e setembro deste ano. Metade do novo volume, por “incentivo externo”, disse Orivaldo Padilha, vice-presidente de finanças e relações com investidores da Via. “Há profissionais especializados em captar recursos com ações trabalhistas”, explicou.

Em julho, a empresa contratou uma consultoria jurídica para rever a área interna e os escritórios parceiros de advocacia e deixar de ser “um alvo fácil” de ações trabalhistas, disse Padilha.

Em 2022, a empresa prevê uma despesa entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão com processos trabalhistas e projeta chegar a um padrão de mercado, abaixo de R$ 500 milhões nestas provissões, entre o final de 2023 e o início 2024.

Hoje, segundo Fulcherberger, o “turn over” de colaboradores é muito baixo e a empresa aposta em expansão. Até o fim do ano serão inauguradas 109 lojas, com foco nas regiões Norte de Nordeste, além de uma megaloja na região Norte de São Paulo, que abre as portas na semana que vem. “As lojas não são mais pontos de venda, mas centros de relacionamento com consumidores e pontos logísticos”, disse o CEO.

A estratégica ajudou a empresa a reduzir custos logísticos mesmo diante de um fluxo mais alto de vendas on-line. Entre julho e setembro, 60% do volume bruto de mercadorias transacionadas (GMV, na sigla em inglês) de R$ 11,1 bilhões partiu dos canais digitais. No terceiro trimestre o ano passado, com lojas ainda fechadas na pandemia, a representatividade do on-line era de 47% do GMV.

Para impulsionar as vendas na Black Friday deste ano, a Via aposta em um marketplace (shoppping center virtual) mais robusto. Entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo intervalo deste ano, o número de vendedores cadastrados saltou de 8 mil para 108 mil, e o sortimento cresceu de 5 milhões de itens para 34 milhões, incluindo produtos importados, desde setembro. No terceiro trimestre, o GMV do marketplace cresceu 133%, a R$ 1,97 bilhão.

O abastecimento do estoque, neste ano, não será problema, segundo o CEO. Já o poder de compra do consumidor diminuiu em relação a 2020 e a estratégia da Via, neste cenário, é oferecer crédito. “É uma ferramenta importante para esse momento pelo qual estamos passando, diz Fulcherberger.

Em meados de outubro, a varejista começou a testar a oferta de crédito por meio de alguns vendedores do marketplace. Em dezembro, o BanQi, área de serviços financeiros digitais da empresa, estende sua conta digital pessoa jurídica, bem como maniquinhas de pagamentos, a microempreendedores individuais (MEIs).

Fonte: Valor Econômico
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