01 out W20 quer ampliar proporção de mulheres no mercado de trabalho
W20 quer ampliar proporção de mulheres no mercado de trabalho
Ideia é reduzir diferença em relação aos homens em 50%; grupo também reivindica licença-maternidade de 14 semanas.
O Women 20 (W20), grupo de engajamento do G20 com objetivo de promover equidade de gênero e empoderamento econômico das mulheres, incluiu em suas recomendações a redução de 50% da diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho até 2030 e licença-maternidade mínima de 14 semanas.
O documento final com as sugestões do W20 será entregue nesta terça-feira (1º) à presidência brasileira, com a “aspiração maior” de que parte seja incluída no texto da Cúpula do G20, mas também para inspirar iniciativas em diferentes esferas de governo, diversos poderes e setor privado, revelou a líder da delegação brasileira do W20, Adriana Carvalho.
“Queremos inspirar e colocar os temas em discussão porque todo mundo pode fazer sua parte: as empresas, os governos estaduais, os governos municipais e os vários poderes. Queremos contaminar as pessoas no bom sentido”, afirmou, no último dia de negociações do documento do grupo no Summit Internacional W20 Brasil.
Duas recomendações foram destacadas por Carvalho como conquistas dos debates deste ano do W20: a redução de 50% da diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho até 2030 e uma licença-maternidade de 14 semanas no mínimo, além de licença de quatro semanas para o segundo cuidador da família, que pode ser o pai ou outra pessoa, a depender de cada arranjo familiar.
No primeiro caso, a meta avança em relação ao que foi acordado no Compromisso de Brisbane, na reunião do G20 na Austrália, em 2014, que era reduzir em 25% essa distância de engajamento no mercado de trabalho entre homens e mulheres até 2025.
Mesmo que metade dos países do G20 não tenha alcançado esses 25%, Adriana Carvalho comemora o fato de o W20 ter chegado a consenso de um recuo de 50%. “A gente conseguiu que o W20 assumisse essa meta mais ambiciosa”, disse.
Em 2014, a taxa de participação de mulheres no mercado de trabalho no Brasil era de 54%, ante 73% dos homens. A taxa é a parcela de pessoas em idade de trabalhar que está na força de trabalho, trabalhando ou em busca de vaga. Pouca coisa mudou, notou Carvalho, mas era preciso acelerar a meta.
Outra frente de vitória, segundo a líder da delegação do W20, foi a inclusão da defesa da licença-maternidade mínima de 14 semanas, prevista na Convenção 183 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os delegados dos 19 países do G20 mais União Europeia e União Africana também concordaram em uma licença de quatro semanas no mínimo para o segundo cuidador da família.
“O documento precisa de consenso. Ter algumas coisas mais específicas é um avanço, ficamos felizes de essas duas coisas mais palpáveis terem passado”, afirmou Adriana Carvalho.
Em 2024, o G20 trabalha com cinco prioridades: empreendedorismo, economia do cuidado, aumento da participação de mulheres nas áreas conhecidas como STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), justiça climática e combate à violência de gênero. Em todos esses pilares, a interseccionalidade de raça e etnia é tratada de forma transversal.
Além do “communiqué”, o W20 vai preparar o que Adriana Carvalho chamou de “documento vivo”, um compilado de exemplos de iniciativas de sucesso na área em diferentes países do mundo.
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